BOLSONARO, O 7 DE SETEMBRO E A RETÓRICA DA LIBERDADE

Fonte: Jornal do Brasil

Fonte: Jornal do Brasil

A mobilização política em torno dos atos de rua para o 7 de Setembro, feriado nacional da Independência do Brasil, já estava em pauta desde o final de agosto de 2021, quando setores da esquerda e da direita brasileira já disputavam os espaços das cidades com o intuito de torná-los palco de suas manifestações políticas.

A data da Independência do Brasil é consagrada como dia em que a participação democrática brasileira se expressa, seja com atos políticos, como o grito dos excluídos, seja por protestos que reivindicam melhoria nas políticas públicas e sociais.

Mas neste ano, os atos da terça-feira apresentavam uma novidade. O ineditismo está nas pautas dos atos políticos que, polarizados, ou expressaram seu apoio incondicional ao governo atual ou a completa  repulsa. Movimentos sociais e partidos políticos se organizaram em atos de rua com suas bandeiras como forma de expressar sua indignação em relação ao presidente da república.

Já os atos a favor do governo, valeram-se da simbologia da bandeira brasileira como forma de criticar as instituições democráticas; o Supremo Tribunal Federal e o legislativo, expressando, então, um elogio ao autoritarismo.

Contudo, o presidente Jair Bolsonaro, mestre na arte da dissimulação, convenientemente, desde o mês passado vem mobilizando as emoções inflamadas do seu auditório, seja em lives nas redes sociais, pronunciamentos públicos ou em cerimônias militares.

Esses auditórios lhes são tão familiares que o presidente carismático se sente à vontade para discursar, frizando seu lugar como um igual nas multidões que estão espalhadas Brasil a fora.

Digo convenientemente porque, apesar de toda controvérsia, fakenews, dentre outras coisas que tem ofuscado mais que esclarecido a conjuntura atual, sabe-se que a base de apoio do governo está ruindo. Isso ficou evidente com a “carta pela democracia” divulgada no dia 30 de agosto e que mostra como setores empresariais, do agronegócio e do mercado financeiro estão rompendo com a política do improviso de Jair Bolsonaro.

Mesmo com o aparente enfraquecimento político, Bolsonaro governa a república brasileira sem ser filiado a qualquer partido político, o que expressa a força retórica que sua figura pública conquistou.

É como se o “mito” encarnasse o próprio homem comum no poder. A resposta à queda de popularidade apresentada pelas pesquisas de opinião pública foi simples: inflamar as massas.

O líder carismático está recriando uma atmosfera política muito similar àquela que vivenciamos em 2018, quando a irracionalidade e a animosidade reinavam no espaço público.

Ao longo do emblemático dia 7 de setembro acompanhamos o percurso de Bolsonaro e dos bolsonaristas ao longo do país. Na esplanada dos ministérios, em copacabana e na avenida paulista gritos ecoavam: “Mito!”, “em defesa da liberdade!”

Mas o uso da palavra liberdade chama a atenção. Quem foi para a rua em defesa do governo, mobilizou a ideia de liberdade, como liberdade de expressão.

Sabe-se que o chamado, sob a insígnia da liberdade é a mobilização de impeachment aos ministros do Supremo Tribunal Federal, Alexandre de Moraes e a Luís Roberto Barroso, os ministros mais ativos no que diz respeito a defesa do Estado Democrático de Direito.

As perguntas que ficam são: quais os limites do direito à liberdade de expressão? A liberdade de expressão está acima dos direitos de cidadania?

 Marina Rute Pacheco

Instagram @marinarutepacheco

Siga no instagram @coletivo_indra