Dia da Rainha
Começo nosso primeiro diálogo de 2021 neste dia 02 de fevereiro, pedindo agô à Yemanjá, orixá yorubana difundida pela diáspora, conhecida como senhora das águas salgadas por aqui, mas em Ifé (Nigéria), local originário do culto, é associada aos rios e desembocaduras.
Como canta Emicida, orixá “que pra uns é branca, pra nós é pretinha”, Yemanjá tem muitas representações e significados: na santeria cubana é Yemayá, em Trinidad e Tobago é Emanjah (ou Amanjah), na República Dominicana é Agué Toroyo e alguns autores indígenas a localizam como Janaína, além de ser sincretizada no vodu haitiano com Mami Wata e La Sirène.
Seu arquétipo é relacionado à força e perigos das águas, à fertilidade feminina e à maternidade.
Um arquétipo de Yemanjá que me interessa nesse diálogo é o relacionado ao subconsciente e inconsciente. Ela é a mãe de todas as cabeças e, um pouco por isso, também é atrelada à loucura e problemas da mente. Na psicologia africana, autores como Wade Nobles trabalham seu arquétipo para discutir os males psíquicos que abatem a população negra.
Portanto, neste ano que corre aos nossos olhos - já estamos em fevereiro! - e para abrir a nossa coluna, peço caminho para Yemanjá. Caminho para as nossas cabeças que estão tão carentes de empatia com o próximo. Que tenhamos maturidade intelectual para aprender as terríveis lições de 2020 e coragem para encarar um Brasil desgovernado, faminto e doente de 2021. Que nossas cabeças suportem o peso da perda e da dor.
Que suas águas possam lavar cicatrizes e feridas e as nossas lágrimas sejam diluídas nas barras de seu vestido de corais. E que a gente possa terminar o ano Vivos. Afrontando o Ocidente.
Aza Njeri
Instagram @azanjeri_