Gagueira
Gagueira é um distúrbio neurobiológico iniciada na infância que altera os padrões normais da fala, caracterizada pela disfunção desta, caracterizada por repetição de sons e sílabas ou por paradas involuntárias, que comprometem a fluência verbal.
De acordo com o Instituto Brasileiro de Fluência, a incidência da Gagueira é de 5% na população brasileira. Isso significa dizer que mais de 10 milhões de pessoas são afetadas pela gagueira durante o desenvolvimento da linguagem no Brasil.
A prevalência da gagueira é de 1%, ou seja, cerca de 2 milhões de brasileiros gaguejam de forma crônica (há anos ou décadas).
A gagueira tipicamente tem suas origens na infância. A maioria das crianças que gaguejam, começam a fazê-lo em torno de 2 anos e meio de idade. Aproximadamente 95% das crianças que gaguejam começam a fazê-lo antes dos 6 anos de idade, na proporção de três meninos para cada menina, e tem taxa de remissão espontânea de 50 a 80% .
A gagueira não é um distúrbio emocional ou afetivo e sim, um distúrbio neuroquímico que afeta as estruturas pré-motoras da fala. Por isso, é importante procurar um(a) fonoaudiólogo(a) fim de ver o melhor tratamento disponível.
Importante destacar, portanto, que fatores psicológicos não causam gagueira, mas podem agravá-la nas pessoas geneticamente predispostas.
Certos sentimentos – medo, ansiedade, insegurança, timidez, vergonha – podem piorar a gagueira em razão da resposta defensiva de congelamento ou que provocam.
Então um acompanhamento multidisciplinar, com um psicólogo, é extremamente efetivo no tratamento da gagueira no que se refere à dificuldades de autoestima, autoimagem e ansiedade. Além disso, um psicólogo especializado pode proporcionar ao indivíduo técnicas facilitadoras da fluência e, no caso de crianças, também trabalhar com a família para auxiliar a criança a falar de forma mais suave e fluente.
Na realidade o sofrimento psicológico associado à gagueira é posterior à manifestação do transtorno.
Fatores de risco para gagueira crônica são: pertencer ao sexo masculino, uma vez que os meninos apresentam menores condições neurocentrais para a recuperação espontânea, alteração da fala como distúrbios fonéticos; idade da criança na época do surgimento, pois quando mais cedo surgir, menos o risco de cronificação, pouco estímulo e empecilhos ambientais para a fala.
Pessoas que convivem com crianças que gaguejam podem colocar em prática atitudes simples para ajudá-los:
1. Ouvir a criança com atenção e manter a calma e naturalidade enquanto ela fala;
2. Reservar um tempo para conversar com a criança, sem distrações;
3. Falar devagar e sem pressa, sem perder a naturalidade da fala;
4. Incentivar todos da família a serem bons ouvintes;
5. Não chamar atenção para a gagueira durante interações diárias;
6. Aceitar a criança como ela é, não reagindo negativamente, não criticando e não punindo a criança quando ela gaguejar.
Em indivíduos fluentes, essas manifestações ocorrem em cerca de 10% das falas, embora apenas 3% desse total deva corresponder às disfluências típicas da gagueira.
Todos os oradores produzem disfluências, que podem incluir hesitações, tais como pausas silenciosas e interjeições de enchimentos de palavras. O famoso ééééé, ahhhhh ou qualquer outro tipo de pausa ou interrupção ao longo do discurso natural.
São considerados sinais e sintomas da gagueira:
• Repetição ou prolongamento de sons e sílabas;
• Dificuldade para iniciar uma palavra ou frase;
• Bloqueio de sons;
• Uso de interjeições para fazer a conexão entre as palavras, como “um”, “am”,”então”, “assim”, “aaah”, “né”;
• Simplificação de frases;
• Ansiedade, tensão muscular e estresse quando a pessoa se sente pressionada para falar ou ler um texto em público, sensações que não se manifestam quando sussurram, falam sozinhas, com um bebê ou com o animal de estimação;
• As dificuldades da fala espontânea próprias da gagueira podem vir acompanhadas de movimentos corporais que visam facilitar a emissão dos sons ou sílabas bloqueados. Por exemplo: rapidez no piscar dos olhos, tremores dos lábios e da mandíbula, tiques faciais, movimentos bruscos da cabeça;
• Afastamento do grupo social na escola, no clube, na rua em que mora;
• Baixa autoestima.
Hayde Haviaras
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