“Mamãe, eu acho que a religião é um sapato que o pé do poder não pode calçar”

Meu filho!

Meu filho!

Eu poderia parar com a coluna nessa frase. Ela me basta. De verdade!

Porque define muito bem o momento absurdo que estamos vivendo. Num momento em que os inescrupulosos que estão no poder usam de um discurso moralista calçado numa visão religiosa que nada tem a ver com Cristo para alimentar a mesma plataforma política que os elegeu.

Recebo da voz de meu filho, com 10 anos de idade, essa pérola. Um resumo da situação. Um alerta para nós e uma sensação boa de esperança num futuro que será deles. De pequenos com essa compreensão de mundo. Capazes (espero!) de construir uma outra realidade. Uma realidade que não coloque um moralismo hipócrita, sem sentido porque passa por cima da constituição, dos direitos e da liberdade daqueles que pensam diferente. Uma realidade em que o obvio não precise ser desenhado. Que seja fato.

PORQUE O RESPEITO AO PRÓXIMO É FATO QUE ESTÁ PRECISANDO SER CONSUMADO.

Vivemos um momento em que se confundem assuntos de estado e município com o controle da vida privada das pessoas. Como se o privado fosse responsável pela falta de estrutura nas escolas, falta de equipamentos em hospitais, falta de saneamento básico nas comunidades. Alegam que o privado está indo contra a família dita tradicional, mas tradicional por um princípio religioso que exclui, que segrega, que se impõe sobre os outros princípios religiosos. Que não leva em consideração as diferenças de opinião e de visão de mundo. Essa dita tradição não serve e nem cabe a ninguém. É um retrocesso totalmente dispensável!

Não é de hoje que o poder usa da religião para dominar, controlar, oprimir, matar. Abusam da fé e da crença alheia para ganhar seguidores em nome daquele ou daquilo que está além do humano, do mortal.

A coluna desta semana foi inspirada pelas falas de uma criança. Foi o futuro que, diante dos meus olhos, na mesa de jantar, me decifrou e resumiu o presente. A coluna desta semana vem de um acalanto de um futuro muito mais esperançoso para um presente tão desacreditado. Nessa noite como presente me encontrei com o futuro que me disse: “Fique tranquila. Eu entendi. Não cometeremos o mesmo erro... de novo.”

Tati Tiburcio

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